Sexta-feira, 17 de Setembro de 2010

Ponto (e vírgula) de situação: com uma dedicatória (e um brinde) especial aos companheiros Nata de Tsicac, Pinano e Junco Julieta.

Quando há pouco mais de três anos atrás iniciámos este projecto, então com bem mais companheiros - e colaboradores - a bordo, do que os actuais quatro irredutíveis alentejanos que restam - não tinhamos um percurso (individual ou colectivamente) delineado, daí (talvez) que os que já não nos acompanham nesta misteriosa aventura tenham seguido o seu próprio caminho.

Esta nossa redução a um núcleo fluído, porém compacto, de companheiros, teve contudo a virtude de aproximar quatro pessoas que, apesar das diferentes maneiras de estar, ser, e pensar, mantêm uma amizade forte o suficiente para resistir ao desgaste (quase sempre bastante saudável) resultante do embate das perspectivas.

Da minha parte, ou seja, do meu contributo pessoal para este projecto (que se tornou, enfim, bem mais que um simples projecto...), reconheço a progressiva radicalização dos seus pressupostos (inicialmente vagos), através da fusão das minhas reflexões e experiências sobre arte com o meu pensamento sobre a política; a sociedade; enfim, o que lhe quiserem chamar.

Mas, se a certeza fundadora que nada mais quero aprender sobre Arte - que não o que me diz que quero apenas saber da Arte o que ela tem a dizer sobre a vida - e sobre o que falta inventar para a vida ser realmente Vida -, cresceu a par da minha não menos crescente ligação à ideia anarquista; à comunista; enfim, à Cultura Libertária, também esta (radicalização) não se tornou em si mesma suficiente para alcançar aquilo que julgo ser o objecto definitivo do meu desejo (partilhado por muitos, mas não ainda os suficientes): do qual ainda só reconheço formas difusas; esboços; centelhas por atiçar. É preciso - para além da tarefa indispensável de destruir a ilusão de que a Arte é um reduto-oásis de liberdade, com a qual tantas vezes se desiste de enfrentar o desafio da Vida - ultrapassar o vírus que por vezes ataca a mente dos libertários mais consistentes e conscientes da sua posição ultra-minoritária (mas indispensável) no conjunto dos movimentos sociais existentes, a saber: o de se julgarem, ou comportarem, como «especialistas da Liberdade», caindo com essa atitude na esparrela da ideologia: em que caem invariavelmente todos os que se julgam iniciados em algo que não eles próprios enquanto indivíduos isolados por uma sociedade atomizada.

Resolver esta equação é, antes de mais, assumirmos que somos artistas e anarquistas, sem esquecermos as distorções ideológicas e as contradições próprias da nossa condição precária; minimizando assim o facto de tal projecto (de fusão total desses dois factores) estar ainda fragilmente assegurado.

Aos companheiros - Nata, Pinano, Junco - tenho a declarar o meu amor incondicional e por ventura louco, com o qual espero manter-vos a meu lado enquanto procuro e vocês procuram (o que quer que andem à procura) - na Art Terror Foundation e fora dela. Sim, porque há muitos foras a conquistar onde poderemos diluir esta mistura explosiva que produzimos cá dentro.

 

Notas Sentimentais para os Companheiros Radicais:

 

À Nata: Por onde quer que te percas e encontres - porque suspeito que te encontrarás e perderás em locais bem diferentes dos meus - afirmo que nunca será suficientemente longe para que te vede a porta dos meus sonhos.

 

Ao Pinano: Que as bruscas passagens, solavancos e acelerações e desacelerações da vida não te arranquem do espírito a habilidade para semear o que quer que te alimente, e o engenho para fabricar as armas para destruir o que quer que te atormente.

 

Ao Junco: Que entre o fluxo-refluxo das marés venha um dia, uma onda gigante contigo à crista e as mãos cheias de tesouros roubados na tua viagem.

 

A todos os que nos acompanham (de perto ou à distância de segurança): Somos um segredo bem guardado mas temos a porta aberta: quer para os que estão saírem, quer para os que não estão entrarem.

 

Nem guerra entre os povos, nem paz social (enquanto reinar esta ordem): Continuemos!

engatilhado por Semeador de Favas às 13:35
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esmolas:
De Junco Julieta Túbaro de Guindaste a 19 de Setembro de 2010 às 00:05
Caro Semeador,

Estou francamente comovido com a tua dedicatória ! No entanto, não pude deixar de denotar um certo aroma bucólico que me eriçou meia dúzia de pelos como homem-pelo-homem que sou./ou pelo-homem-pelo . Tenho a dizer-te caro amigo, por quem detenho um amor impetuoso de gigantismo, que A DISTANCIA NÃO NOS SEPARA. E essa tal onda em crista lá fará flutuar o nosso encouraçado de papel! A luta e nossa, e nela lutaremos juntos, SEMPRE! Sempre na mesma linha das varias frentes!
Por isto, caro amigo, esses tais tesouros serão NOSSOS! Cabernos-á apenas, posteriormente decidir como queima-los, ou onde arrecada-los.
Caro Semeador, que o teu génio agregador, comunitário , comunicador e criativo radical se mantenha como desde sempre, para mim e certamente que para mais, uma luz lacerante na escuridão , uma polaris na penumbra.
Querido amigo, um valente e apaixonado abraço!

PS.: já tenho tanta coisa para contar...

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