Sexta-feira, 2 de Outubro de 2009

Art Terror Foundation: Prolegómenos

 

    Antes de mais, um dos poucos problemas filosóficos realmente sérios é o do terrorismo, isto é, a teoria e a prática do terrorismo. Resta-nos perguntar em que medida este é também um problema artístico. Sabendo de antemão não existirem problemas artísticos separados, devemos concentrar os nossos esforços na concretização da consciência difusa do impacto do terrorismo (sob todas as suas formas), sobre a sociedade contemporânea, na arte. Ora tornou-se uma urgência enfrentar esta problemática a partir do momento em que o seu paroxismo foi revelado, no confronto com o histórico happening  hiper-mediático (eufemismo para espectacular) que foi o "11/9/2001": os artistas que continuarem alegremente a recusar, fingindo não poder encontrar uma forma, ou múltiplas formas, minimamente (inter)activa(s) para compreender, e transmutar (em arte), a realidade que o fenómeno “terrorista” trás todos os dias à superfície estão, desde já, dispensados de qualquer tarefa que envolva os processos mentais em que se julgam especializados, nomeadamente a imaginação.Aos artistas cabe portanto criar um TERRORISMO TOTALMENTE NOVO, não redefinindo o terrorismo –o que seria contraproducente tanto para a eficácia política do “terrorismo subversivo” quanto para o objectivo/fim social da arte –, mas redifinindo a arte, de resto a única coisa para a qual se devem sentir ligeiramente capacitados: transformando-a em terrorismo (e contra-terrorismo) e desse modo praticando-a. Podemos chamar à tarefa que temos pela frente,  para não usar demasiada ambiguidade, Arte & Terrorismo. Não um terrorismo que é arte – à luz da análise feita por Stockhausen no rescaldo dos eventos de Setembro –, mas uma arte que é terrorismo porque é arte. Isto não significa a persistência de qualquer ilusão de autonomia face ao TERRORISMO REALMENTE EXISTENTE; nem a sua recusa enquanto mote; nem tão pouco a rejeição do seu carácter de território virgem – extra-artístico –, mas a colocação do neo-terrorismo, praticado por artistas, no eixo apropriado, quer dizer, não é da nossa responsabilidade definir os contornos da arte praticada por terroristas (se existir de facto), porque não podemos realizar o arterrorismo pedindo emprestados meios de produção que não podermos deter; ou através de mimésis (pictóricas ou outras) do Terrorismo e dos seus meios próprios de produção: porque não estamos interessados em alienar os seus produtores nem em nos auto-alienarmos do fruto do nosso trabalho. Não devemos portanto já preocuparmo-nos exclusivamente com a denúncia do “terrorismo intelectual” com que se continua a reproduzir o actual estado das coisas, nem em duplicar os esclarecimentos já realizados (por outros, há muito) com êxito, para desmistificar as correntes e formas convencionais de terrorismo – muito particularmente o “terrorismo artificial” – fabricadas pelos governos e pelas corporações como instrumento de consolidação do seu controlo e de manutenção do statu quo.
   A ATF, como fundação de algo e não ainda o seu movimento definido de, e em direcção a algo, não terá senão que recusar, totalmente, participar enquanto espectador em qualquer acto terrorista, pré-fabricado, que se prefigure (vindo do Estado ou de onde quer que venha), e que buscar construir as suas próprias ferramentas e “actos de terror”. Com dois fins em vista: 1º, recuperar para os artistas (todos) os meios necessários, e hoje existentes, para produção de obras de arte; 2º, concretizar a arte, tendo desta feita o terrorismo como modelo de deperecimento.
 
De que outra maneira poderá ser demolido o presente perpétuo?
engatilhado por Semeador de Favas às 13:38
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