Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

O Silêncio dos Inocentes

Recentemente a Amnistia Internacional (AI) lançou um relatório em que a polícia portuguesa é acusada de “uso excessivo de força”, tanto sobre minorias étnicas quanto sobre manifestantes. Do mesmo relatório, constam ainda reparos gerais sobre o avacalhamento dos direitos humanos, fruto das medidas de austeridade implementadas nos últimos anos, pintando-se assim o quadro negro que ninguém – seja manifestante, minoria ou simples carne para canhão da austeridade – necessita que o façam por ele.

Pondo de parte os reaccionários mais trauliteiros, para os quais as denúncias da AI serão sempre mariquices de esquerdistas lacrimejantes, temos os que desempenham voluntariamente (ou de forma profissional) o papel de esquerdista lacrimejante, tratando de recuperar estes documentos para a sua retórica estratégica de vitimização permanente do “povo sem poder”: o que perpetua a ideia que a força é património exclusivo do Estado ou das elites governantes, e que dissemina a sensação de impotência que nos transforma em gado a caminho do matadouro, ou da salvação por interpostas vanguardas.)

Temos então que perante o Terror Social instalado e instituído, paira esta tenaz ideológica que o justifica, por aceitação ou falsa oposição, e que nos mantém reféns da presente ordem social, convencendo-nos ora que as coisas afinal não estão assim tão más, ora que estamos mesmo na merda e que não podemos fazer nada em relação a isso (a não ser esperar que a AI, ou qualquer outra organização defensora dos direitos humanos se condoa com o nosso sofrimento, caucionando por arrasto os que querem reajustar à esquerda o capitalismo, restaurando assim a ordem constitucional, democrática e humanista.)

Ora, se queremos escapar a este buraco sem fim por onde escoam todas as nossas energias e boa parte da nossa alegria de viver, teremos necessariamente de deixar de ser vítimas do “uso excessivo de força” - por parte do braço armado do Estado e do Capital, bem como do bolor ideológico onde fermenta, em plena “guerra civil”, a “paz social” -, e passar a ser culpados do “uso necessário de força” a fim de nos libertarmos.    

engatilhado por Semeador de Favas às 18:53
link do post | deposite aqui a sua esmola | adoptar este post
|

.Nós

.Memorabilia

. Junho 2013

. Maio 2013

. Fevereiro 2013

. Dezembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Novembro 2011

. Junho 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Janeiro 2009

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Janeiro 2008

. Novembro 2007

.Engrenagens

.Poltergeist

. Sentimento Objectivo de E...

. O Silêncio dos Inocentes

. C'era una volta il Italia...

. Troika Punks Fuck Off / R...

. Let's twist again (like w...

. Vamoláver sagente sentend...

. Solidariedade (Palavra à ...

. “fo(le)go” .T...

. O “bicho-troika” demonst...

. De como se auto-decapitar...

.Junho 2013

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30

.pesquisar nesta espelunca

 

.tags

. todas as tags

blogs SAPO

.subscrever feeds