Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

L`Amour fou

Em França, as Almas Vivas prosseguem a sua luta pela Vida e ao lado Dela, porque a Vida - e o sentimento de que a parte substancial da sua força é explorada e arrastada para os pés da Economia, e aí drenada - é uma aliada dos que combatem: a esta batalha em curso chama-se, tecnicamente, de Greve Geral. A Vida, e o ensaio geral da sua libertação - ainda que seja por horas; dias; meses - é a primeira arma, antes das armas de fogo e de todos os outros meios auxiliares, de que se deve munir um espírito revolucionário.

Pois bem, os números da greve e os seus gráficos não me interessam, deixo-os para os bófias e para os burocratas (não confundir com «movimento sindical», se faz favor); as suas causas e consequências também pouco, deixo-as para os arquivistas sociais.

O que me importa realmente, e devo dizer que tenho evitado ouvir notícias filtradas através dos media corporativos acerca dos acontecimentos, é divagar um pouco - e absolutamente à sua margem - acerca do que uma greve destas proporções possibilita:

 

Uma rapariga demonstra ao namorado desajeitado como se arremessar uma pedra (JUNTOS, aprendem que LUTAR, BEIJAR e FALTAR às aulas podem ser actos políticos, e conter combustível revolucionário.

Um grupo de operários PARTILHAM a rua - que subitamente volta a ser LUGAR de encontro e de aprendizagem e não um percurso vulgar que se faz até ao posto de trabalho, ou até onde o fluxo de mercadorias e pessoas todos os dias nos arrasta;

Um multibanco arde: finalmente, o stencil - um superhomem com um $ em vez do S e por baixo "o Capitalismo é Lindo" - que alguém fez nos caixas automáticas de Lisboa faz sentido.

 

A Economia, e os seus infatigáveis defensores, estremece e ameaça: porque no fundo sabem que contra uma COMUNIDADE VIVA não têm mais que os polícias que (por eles e para eles) carregam sobre manifestantes (ao invés de se virarem contra quem os oprime - é isto, enfim, que revela o que significa ser, e aceitar ser, bófia [quando todas as máscaras cívicas desmoronam]; e que revela, sobretudo, o que significa a «ordem democrática»); dispositivos e mecanismos de segurança ensaiados; elaborados planos de circunstância e, no limite, o Exército.

 

 

engatilhado por Semeador de Favas às 21:03
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esmolas:
De Junco Julieta Túbaro de Guindaste a 24 de Outubro de 2010 às 21:01
a poesia da vida das ruas e da rebeliao. a mais bela estetica. a mais bela demoliçao da estetica.
e um muito belo reflexo literario disso nesta tua divagaçao.
grande abraço compadre semeador.
junco
De tv online a 25 de Novembro de 2010 às 00:52
Estou a ver na televisao informacao sobre a greve geral de 24 de Novembro- os trabalhadores lutam pelos direitos conquistados com tanto sacrifício ao longo de várias gerações, pela manutenção dos salários, pela dignidade das condições de trabalho e de vida em geral.

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