Sábado, 11 de Setembro de 2010

Há vida para além da cosmética reformista: introdução ao estudo do «fetichismo revolucionário» vs «fetichismo da mercadoria» e da podofília (fetiche de pés)

 

 

Quem deixou de saber como usar os pés é como quem deixou de saber como usar a cabeça. Evidentemente, esta asserção não exclui que se possam usar os pés sem usar a cabeça: caso do Capitalismo Terminal e dos seus ideólogos que, em descontraída manutenção - apesar da crise e a cavalo nela - dos seus lucros e do seu estatuto de controladores da vida, vão propondo que se pontapeie da frente  da sua longa marcha os poucos obstáculos que ainda restam -consoante os países e a sua evolução capitalista própria feita no interior da ordem global - de anos, décadas e séculos de lutas sociais (direitos laborais, políticos, etc); confiantes de que o trabalho de sapa ideológico, realizado pelos seus órgãos de doutrinação de massas («Informação Independente»), extinguiu para sempre o fogo da revolta...

No lado revolucionário (umas vezes com aspas, outras nem tanto) as coisas parecem correr no sentido inverso: a produção teórica, isto é, o uso dos mecanismos da cabeça, logrou  subalternizar de tal modo o uso dos pés que por vezes é impossível distinguir a quem se dirige a literatura revolucionária... se a um público especializado de iniciados nas diversas teses concorrentes; se a cada uma das pessoas a quem a proletarização da (sua) existência empurrou para uma atitude refractária face aos desígnios da mercadoria, e a partir daí para uma situação potencialmente explosiva e pré-revolucionária.

O facto de não se conseguir ler ( eu pelo menos tenho tido dificuldades em encontrar exemplos contemporâneos)- salvo excepções como a recém traduzida L`Insurrection qui Vient do Comité Invisível, disponibilizada aqui pela RádioLeonor.org em formato pdf - obras que procurem indicar eventuais fissuras e fracturas na actual ordem capitalista, e no conjunto das suas estruturas obsoletas - e isto independentemente da ferocidade da crítica e do seu arcabouço conceptual -, é por si só indicio de uma capitulação generalizada; de uma desorientação da intelectualidade de esquerda, reveladora do seu pacto involuntário com uma das mais tradicionais fórmulas mercantilistas, a saber: o de fornecer um produto que não obstante o seu aspecto polido, os seus magníficos acabamentos e a forma charmosa como é vendido (embalagem), jamais oferecerá o conteúdo virtual - transformado em mera substância fantasmagórica e aurática -  que em primeiro lugar conseguiu atraír o consumidor. A teoria produzida segundo esta fórmula é tão passível de produzir e sustentar acção quanto é provável encontrar, por exemplo, um homem a quem a utilização diária de determinado desodorizante permitiu a conquista de um harém de mulheres jovens e voluptuosas, incapazes de resistir ao seu odor encantatório comprado no supermercado.

Deste modo, a procura sistemática de formas puramente teóricas de transmitir conhecimento revolucionário, é a perseguição de um engodo que nos conduzirá a ferrar um anzol com uma deliciosa refeição à barbela da qual nunca desfrutaremos durante o nosso tempo de vida.

A grande tragédia do pensamento não-conformista é pois o de se ter esvaziado por culpa própria do valor de uso sem o qual não passa de mais uma mercadoria instalada, entre outras mercadorias de menor valor, no seu valor de troca.

Não se encontram, pois, autores que afirmem abertamente que a revolta arde onde quer e por vezes onde e quando menos se espera; sem dar conta de que estejam (ou não) reunidas as condições objectivas e subjectivas para a concretização de intenções revolucionárias.

É preciso voltar a dizer a estas cabeças (teoria) que os pés (prática) nos (e lhes) fazem muita falta. A separação destas duas dimensões é uma premissa reaccionária, como é reaccionária a separação dos pés da cabeça. Daí que a teoria revolucionária, venha ela de onde vier, tem de ter (e usar) pés e cabeça, de preferência simultâneamente (que estes apêndices estejam ou não bem assentes na terra é absolutamente secundário).

A teoria e prática devem brotar da mesma nascente e correrem juntas até ao mar.

A unica maneira verdadeiramente revolucionária de amar e cultivar as coisas passa por compreender o seu potencial revolucionário, isto é, o contributo que cada uma delas pode dar para a causa da apropriação individual e colectiva de todos os aspectos materiais e espirituais - separados pela lógica capitalista - necessários para a construção da Vida Total (plenamente vivida).

No capítulo V (Desordens mentais e do comportamento); sub-capítulo Desordens da personalidade e do comportamento em adultos; alínea Desordens da preferência sexual (parafilias) - a World Health Organization, na 10ª revisão de International Statistical Classification of Diseases and Related Health Problems (2007) descreve o fetichismo como a «Dependência, como estímulo para a excitação sexual e gratificação sexual, de alguns objectos inanimados. Numerosos fetiches são prolongamentos do corpo humano, tais como artigos de vestuário ou calçado. Outros exemplos comuns são caracterizados [pela preferência] por uma textura particular como a borracha, plástico ou couro. Os objetos fetiche variam na sua importância para o indivíduo. Em alguns casos servem simplesmente para reforçar a excitação sexual, atingida de forma normal (por exemplo, tendo o parceiro a usar uma roupa especial)». É sabido entre a comunidade cientifica que o «fetiche de pés» (podofília) é a mais comum, porque também (na maioria dos casos) bastante inofensiva, «desordem» da sexualidade. Mas os pés, para além de serem populares objectos de «desejo desviante», são também uma parte importantíssima do corpo humano. A Dr. Joana Azevedo (podologista) resume no seu blog aspectos essenciais que devemos ter em conta:

«Os pés são o único ponto básico do aparelho locomotor, que assegura a posição erguida (bípede), intervindo nesta função os músculos que actuam sobre a cabeça e tronco, as ancas e as pernas. Qualquer alteração da dita posição significa a afectação de todos os elementos que contribuem para a dinâmica do corpo.Daqui se conclui que o estudo do pé não pode ser isolado do restante aparelho locomotor; como estrutura complexa que é, necessita do suporte, apoio e interacção de ciências distintas que complementam esta formação integrada. Os pés são também a base de sustentação do organismo humano, são eles que suportam o peso do corpo, ficando sujeitos a uma enorme tensão. Além de suportarem o peso do corpo, os pés estão sujeitos a um enorme desgaste. Por exemplo, os pés de uma pessoa de 70 anos fizeram um percurso equivalente a 3 vezes a volta ao mundo.»

Entretanto, todos os podólogos são unânimes quanto à incompreensível negligência a que estas extremidades corporais são sujeitas por parte da generalidade da população; não obstante o reconhecido alcance sexual que lhe é atribuído, e a sua importância para o bem-estar físico.

Por outro lado, o crescente reconhecimento de que o Homem foi evolutivamente desenhado para correr - e que esta característica se consubstancia na anatomia do nosso pé - deve-nos alertar para a nossa fraca consciência acerca das vantagens que resultariam de uma boa aplicação dos conhecimentos teórico-práticos (científicos e empíricos) sobre pés.

Devemos portanto dispensar aos nossos pés, no mínimo, a mesma atenção demonstrada pelos únicos humanos hoje capazes de executar a tarefa de cuidar dos pés: nomeadamente aqueles(as) que recorrem aos podólogos afim de obterem uns pés bonitos, capazes de suscitar (através deles) interesse sexual nos outros humanos e a excitação sexual no(s) parceiro(s) - por contacto directo ou visual - seja ele um podófilo experimentado ou não.

Ideal e revolucionariamente esta situação deverá ser superada por um estágio em que o amante de pés já não se limita a usufruir (fetichistamente) da vertente estética e sexual das suas extremidades inferiores, apoderando-se agora das suas capacidades motoras inatas, a saber: correr (fuga e perseguição) pontapear e espezinhar.

 

Sabotagem: O capitalismo será tão mais facilmente derrotado quanto mais baixos forem os golpes que estivermos dispostos a aplicar-lhe.

Na 36ª tese de A Sociedade do Espectáculo, Guy Débord, afirma que:

«É  pelo princípio do fetichismo da mercadoria, a sociedade sendo dominada por "coisas supra sensíveis embora sensíveis", que o espectáculo se realiza absolutamente. O mundo sensível é substituído por uma selecção de imagens que existem acima dele, ao mesmo tempo em que se faz reconhecer como sensível por excelência.»

A maior parte das vezes o «senso-comum» - uma das abstracções mais permeáveis à ideologia mercantil e ao seu jugo- manda que os pés servem sobretudo para fugir das ameaças externas (polícia; neo-nazis com bastões e soqueiras; etc). Em parte esta asserção está correcta; o problema é quando ela se transforma numa posição dogmática regrada pelo medo da confrontação: que estipula quem são os predadores e as presas sem que estas posições fixas jamais possam ser invertidas e, portanto, devidamente superadas por uma sociedade sem classes; hierarquias artificiais; exploração; etc.

O pé é portanto, em geral, um recurso biológico subaproveitado, entregue ás forças sociais mais reaccionárias e retrógradas: da moda especializada, à extrema direita militarizada, passando por todos os quadrantes do capitalismo enquanto crime organizado e força terrorista internacional.


engatilhado por Semeador de Favas às 00:03
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De m a 13 de Setembro de 2010 às 12:21
É de mim ou este texto faz a mais descarada apologia da violência revolucionária? Cuidado, caro Semeador, que os bacanos de crachá ainda te fazem uma visita a casa :)
Penso, de facto, que tens razão nas ideias força que transmites. Aliás, o que mais há por aí são revolucionários não praticantes (como os católicos não praticantes mas com outra liturgia) que parece que querem ver acontecer a revolução pela televisão.
Julgo que a violência revolucionária é muito problemática. Mesmo muito. É um daqueles temas fracturantes e que não há soluções para o resolver. A partir do momento que admitimos o recurso à violência temos também que estabelecer limites. É possível fazê-lo, mas extremamente complexo.
Muito bom texto.
abçs
De Anónimo a 14 de Setembro de 2010 às 11:30
Eu acho que é de ti, mescalero. A sabotagem, os tais pontapés nos tomates, é, entre as táticas 'violentas', a mais subtil delas todas até porque acontece diariamente, em todo o lado, e muitas vezes sem intencoes revolucionárias. Se há algo que é universal é a vontade de enganar o patrao e roubar 'a empresa as horas que ela nos rouba.

Para mim a questao nao é de violencia ou do pacifismo: é de métodos e resultados e práticas. Regra geral a violencia revolucionária é sempre um problema pelo simples fato de haver uma disparidade tao grande entre o estado e os revolucionários. Se já a havia no tempo do Baader e companhia, imaginem agora com os mecanismos super avancados de vigilancia, com a destruicao da privacidade dos cidadaos e com a formacao de 'soldados urbanos' (GOE, GSG-9, etc.) em todos os estados ditos liberais além das polícias supra-estatais como a Interpol e outras. E isto sem falar na preparacao ideológica, referida neste post, que tem sido feita contra a figura do terrorista, que neste momento apresenta-se como qualquer pessoa que vá contra a ordem estabelecida duma forma mais incoveniente. Se os sindicatos nao fossem tao uteis para o estado como valvulas de pressao da tensao radical concerteza que os sindicalistas ja se tinham passado a chamar terroristas. Finalmente, se queres ser melhor que a polícia a ser policia, entao nao te esquecas que passas tu a ser o polícia!
De m a 14 de Setembro de 2010 às 13:06
Mas se a questão é de "métodos e resultados e práticas" então a violência volta ao debate como uma possível prática a ser usada. Sinceramente não vejo como evitar essa questão. Há objectivos que são atingidos com o recurso à violência (mesmo apesar da tal desproporção de forças). Podem não ser os teus ou os meus objectivos, mas são os de quem praticou o acto. Quanto mais não seja o de libertar da frustração e da raiva e de ter a sensação de que se está a ripostar à agressão.
De Semeador de Favas a 14 de Setembro de 2010 às 14:05
Mescalero, creio já ter sido bem mais descarado (umas vezes com intenção outras involuntariamente) em outras ocasiões. Alguns pensamentos acerca dos pontos levantados nos vossos comentários: acho que estamos todos de acordo quanto à violência nunca poder ser um fim em si mesmo, mas uma estratégia entre outras, mais ou menos eficaz, ou aceitável, consoante as circunstâncias e os métodos utilizados, isto é, não pode ser uma pura e simples reprodução da violência exercida pelos detentores do poder através dos seus mecanismos repressivos, até por que isso já é, como o Anónimo refere, tecnicamente impossível.
Agora, para mim, e era isso essencialmente que o meu texto procura discutir, é óbvio que existe uma necessidade de agir, quer dizer, de unir a teoria à prática, quer dizer, torna-la operativa, para identificar por onde podemos seguir com lutas consequentes, que não se esgotem na produção de «mercadoria revolucionária» estéril. A questão da violência revolucionária - apoia-la ou não - apenas se coloca a partir deste ponto, e não está a montante da questão da acção em geral, seja ela violenta ou não.
Por outro lado, para mim o pacifismo e a violência não são termos antagónicos, ou meros posicionamentos morais, complementam-se enquanto métodos de acção. Já para não falar que o contrário do pacifismo não é a não-violência, mas o belicismo e/ou o militarismo: que já são assuntos a montante da questão da acção directa.
Abç a ambos.
De Anónimo a 14 de Setembro de 2010 às 14:11
Sim mas isso cabe a quem executa os atos, nao a quem os ve na TV, nao? Digamos que o objetivo é lutar contra os organismos geneticamente modificados. Há quem pegue fogo aos campos de cultivo dos mesmos causando enormes prejuízos e dissuadindo quem os cultiva; há quem faca uma campanha de publicidade (piquetes a lojas, distribuicao de panfletos) alertando o consumidor para os perigos e quais produtos a evitar causando enormes prejuízos e dissuadindo quem os cultiva. Qual destas táticas é violenta? E se uma delas for e a outra nao entao quem decide o que é violento e o que nao é?
De m a 14 de Setembro de 2010 às 15:35
Semeador, disseste o que me faltou dizer, particularmente o facto de pacifismo e violência não ser um oposição como parece há primeira vista.

Quanto ao que o anónimo disse, não sei se terei entendido onde queres chegar. Essa questão de quem determina que actos são violentos é uma boa questão, embora não seja a que mais me interesse, e também não tem resposta fácil. Tem tudo a ver com aquela brilhante frase do Brecht "toda a gente diz que é violenta a corrente do rio, mas ninguém diz que são violentas as margens que o comprimem". O que penso ter mais interesse descortinar (e tenho procurado por aí em opiniões e textos diversos) é como se estabelecem limites colectivos para o uso da violência revolucionária. Não sou purista do pacifismo (embora me considere pacifista), mas também não quero ver excedidos os limites que pessoalmente considero aceitáveis. Não quero estar a lutar por uma ideia libertária que depois se perverta e venha a tornar-se idêntica ao mundo que pretendo destruir. Se estes limites estiverem consensualizados penso que se dá um passo de gigante para uma coligação muito mais alargada das forças radicais e revolucionárias (se quiseres, num cenário idílico, mas o idílio também faz falta à luta).

abçs
De Semeador de Favas a 14 de Setembro de 2010 às 16:10
A questão do(a) Anónimo(a) é realmente pertinente. Mas, apesar da sua pertinência, eu tendo a cortar a direito quando me é colocada desta forma. Se uma pessoa for visceralmente avessa à violência então não há discussão; rejeita-a e repudia-a, ponto final: e age em conformidade com os seus princípios...apesar de eu achar que essa postura, levada ao extremo, carrega o gene do conformismo.
Já quando pensamos que o uso da violência é ponderável, então o nosso trabalho é discernir se foi ou não legítimo o recurso a ela, isto é, tentar clarificar porque é que a destruição de uma plantação de milho transgénico é um acto de desobediência civil -político portanto - e não um acto destrutivo gratuito movido a ódio.
Quanto à questão de quem define o que é ou não violento parece-me uma pergunta demasiado académica e armadilhada, até porque -questões filosóficas à parte - é assunto que quer queiramos quer não nos ultrapassa: há quem decida por nós, mesmo que contra a nossa vontade, o que é ou não lícito, pondo em tribunal e de costado na pildra se necessário for, quem mijar muito fora do penico.
Eu não alinho nessa.
Há uma frase muito bem cravada (pelos editores) no fim da tradução portuguesa (da Antígona) de O Terrorismo e do Estado (Gianfranco Sanguinetti) - e que é uma provocação ao simplismo de Sanguinetti, para quem todos os pretensos terroristas eram agentes dos serviços secretos ou instrumentos (idiotas úteis) dos mesmos - que resume muito bem o perigo de nos determos nesse tipo de julgamento moral das práticas «terroristas» alheias: «Estarão eles a aprender na cadeia o que não aprenderam em liberdade?»
De Anónimo a 15 de Setembro de 2010 às 01:16
Nao e' o estado que decide se um ato e' violento ou nao - apenas decide se e' legal ou nao. O estado reprime imensos atos que nao implicam nem violencia contra pessoas nem contra propriedade. Alias, os crimes ideologicos serao sempre mais reprimidos que os violentos porque sugerem uma possivel propagacao que pode derrubar o estado. Veja-se o que aconteceu com os tipos em Tarnac...
Quando ponho aquelas questoes que pus na minha resposta, e' porque sao na minha opiniao pistas falsas. O que e' a violencia? E' sempre imoral? Quem decide isso? Temos um movimento moralista ou revolucionario? A minha experiencia sentado no sofa e nao-sentado no sofa diz-me que quando os media falarem das nossas acoes elas serao sempre mostradas como violentas e irracionais, portanto para que preocuparmo-nos com a violencia como imagem dos nossos atos? E' tudo espetaculo e mediacao.
Quanto a violencia inerente ao ato, entao e' uma questao moral e nao sei ate que ponto um grupo de pessoas dispares com a mais tenue ligacao ideologica pode censurar uns e outros. Enfim, e' importante criticar e sugerir, mas tambem ter confianca nas avaliacoes estrategicas que os nossos companheiros tomaram e respeita-las.
De Semeador de Favas a 15 de Setembro de 2010 às 10:57
Estou de acordo contigo, Anónimo, sobretudo com a conclusão que fazes. Quanto às tuas questões, inclino-me a pensar a «violência» enquanto algo que perturbe uma determinada ordem estabelecida, tendo em vista destruí-la ou supera-la - não implicando necessariamente a destruição de propriedade ou o confronto corpo-a-corpo (sem excluir estas possibilidades, quando não existir outra alternativa).
Esta questão, como o Mescalero referiu e bem, é bastante delicada, pois que a relativização da violência (que eu não relativizo, apesar de não excluir o seu uso), pode sempre conduzir-nos a uma fanatização extremista e inconsequente que nada tem de radical, antes pelo contrário.
Portanto, a violência é sempre imoral? Não.
Temos um movimento moralista ou revolucionário? Espero, sinceramente, que revolucionário. Se não o for há que mudar essa situação, sem moralismos.
Um abraço.
De Semeador de Favas a 15 de Setembro de 2010 às 13:03
Parte do meu ultimo comentário pode ser mal interpretada. Quando digo que a destruição de propriedade e confronto corpo-a-corpo devem ser utilizados quando não existir alternativa, não quero dizer «apenas quando», mas que devem ser utilizadas sem descuidar a utilização de outros métodos mais subtis: por ventura menos instrumentalizáveis pelos canais mediáticos para denegrir as acções radicais em geral.
Mas é como dizes, Anónimo, portanto não me verás emitir juízos morais sobre qualquer decisão tomada por qualquer «movimento» radical.
De m a 15 de Setembro de 2010 às 12:59
Mesmo com toda a canga mediática contra nós e com a classificação de terroristas com que somos brindados regularmente, não podemos dar por vencida a guerra mediática e ignorar o efeito que tem sobre a opinião pública . É demasiado importante para o que pretendemos. A opinião dentro da nossa família ideológica alargada, os movimentos radicais, a esquerda, mesmo muita gente não politizada, pode balançar para um lado ou para o outro e esta gente é essencial para não nos deixarmos guetizar e assim desligar da realidade das lutas.

Não é o Estado ou os média quem decide quem é terrorista, mas têm muita influência em quem passa por ser terrorista ou um vândalo. Onde é que esta constatação nos leva? Evidentemente, que temos de ter muito cuidado com a imagem que passa.

Este é o argumento forte a favor das tácticas de luta pacifistas, ou seja, de que o uso da violência vai ter um efeito contrário ao pretendido porque foi usado pelo pensamento dominante para influenciar a opinião pública contra nós. Se de facto é assim, penso que é um factor a considerar, embora sem carácter decisivo, sempre que se pretenda recorrer à força ou a qualquer actividade ilegal. Não o fazer é prepararmo-nos para alegremente dar tiros nos pés sabendo de antemão não ser experiência muito agradável. Os erros cometidos pelos Verde Eufémia são um bom exemplo disso, apesar do mérito da acção em todos os sentidos excepto o mediático.

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