Quinta-feira, 1 de Julho de 2010

Aplicar uma camada fina sobre uma superfície, unir as superfícies. Para colar superfícies não absorventes, aplicar uma camada fina em cada superfície (têm que estar secas e sem gorduras), deixar secar uns instantes, aplicar outra camada fina e unir

Introdução ao tema:

1. Alegoria de Fim de Carreira, fotomontagem (2010)

2. A festa da Democracia, fotomontagem (2010)

 

Introdução à coisa propriamente dita:

 

É sobejamente conhecido o amor incondicional que a generalidade da intelectualidade portuguesa nutre pelo século XIX. Esse sentimento, que chega a ser enternecedor para o espectador da cultura, manifesta-se pela devoção (+ ou -) acrítica aos escritores da Geração de 70 (Eça, Ramalho, Antero, etc, etc, etc) que a história tratou de canonizar nas cátedras de literatura e história da arte de todas as universidades. Esta mais do que justa homenagem a uma geração realmente brilhante - trágica e logicamente rematada num punhado de «vencidos da vida»- transformou-se num mito insuperável: nada do que venha depois dela - Fernando Pessoa; Cesariny; Herberto Helder..., - pode fazer os literati e os bardos nacionais destruir o panteão onde anicharam os seus (e nossos) tetravós.

A razão dessa irredutibilidade espontânea - sustentada pela crença patafísica de que todos os diagnósticos e remédios (dos males portugueses)  para os séculos XXI, XXII e XXV foram feitos há 140 anos atrás -  é compreensível, se não vejamos o que escrevia Abel Botelho:

«A organização da sociedade actual, meu amigo, está minada de vícios estruturais, cheia de crueldades de ordem legal e ordem moral, e sobretudo é revoltante pelas suas injustiças económicas. É uma sociedade ainda sem liberdade, sem igualdade, e portanto iníqua. É contudo bem melhor que o passado. Temos que amar nela, acima de tudo, o incessante sopro renovador, o ardente ímpeto revolucionário que, como uma locomotiva em marcha, na sua grande alma colectiva arfa e palpita, e que logicamente há-de acabar por destruí-la... fazendo por seu turno sair dela uma sociedade melhor».

Mas ser compreensível não torna legítima a sua reiterada reprodução em forma de conformismo esclarecido e pessimismo endémico; como se  existisse qualquer fado misterioso - inscrito nos genes dos que, por pura coincidência óvulo-espermática e outros acasos biológicos, nasceram nesta parte do globo - que os faz confundir pessimismo com criticismo e fatalismo com realismo. Todavia, isto não significa que o cepticismo ou o optimismo idiota sejam uma alternativa a esse estado de alma, torna sim necessária a reabilitação de uma atitude duplamente refractária; que possa destruir em simultâneo, e efectivamente, as duas faces dessa moeda paralisante. Precisamos de corações avessos tanto à ideologia da decadência quanto à ideologia do «este é o melhor dos mundos possíveis», para demolir os mitos que construíram para nos tornar passivos; e com eles esta sociedade parida de cima para baixo e de pernas para o ar que é uma trituradora de carne humana e uma fábrica de nado-mortos e de mortos-vivos - que muito em breve (assim o espero) entrará em falência absoluta depois de uma greve selvagem de proporções até hoje desconhecidas.

A minha recém falecida «vida académica» (que a terra lhe seja pesada), facultou-me o contacto quase diário com os produtos desse século(XIX)-fetiche, com o qual nada mais posso fazer que não seja brincar com os seus escombros, através de bonecos e citações avulsas: servidas à medida de todos e de cada um que possuam um sentido de humor revolucionário.

Aí vai então, caras e caros amig@s, uma série (que não sei quando estará terminada) de «fotografias retocadas» dos cromos favoritos da academia. Pintores e escritores, portugueses e franceses: pois não sabemos já que os primeiros não sabiam viver sem os segundos?

 

Beijos e Abraços,

Semeador de Favas.

 

A coisa propriamente dita:

 

Abel Botelho à Lagareiro,

grafite sobre fotocópia e photoshop

2010.

engatilhado por Semeador de Favas às 09:19
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De abc a 2 de Julho de 2010 às 05:56
faltam as batatinhas a murro.

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