Quinta-feira, 29 de Abril de 2010

Um dia vais achar que esta merda não tem que ser assim (quando esse dia chegar não falhes)

O Dia Mundial dos Trabalhadores está aí à porta e, com ele, diversas acções de protesto, festa e luta organizadas por sindicatos, movimentos e associações mais ou menos informais de activistas - unidos, para além de todos os sectarismos (pelo menos assim o esperamos), por um desejo comum de transformação das condições impostas actualmente pela ordem Capitalista; e pelos Estados que a representam através dos seus governantes de classe. Com o aprofundamento da actual crise sistémica do capitalismo -e consequentes crises económicas nacionais e internacionais -, os seus dirigentes não hesitam em pedir (e impor) sacrifícios às classes trabalhadoras que carregam às costas o peso de toda a pirâmide social. Como se não bastasse o agravamento das condições materiais da maioria (através de congelamentos salariais; da própria política de salários miseráveis que tem repercussões imediatas no que diz respeito ao acesso a bens, cuidados de saúde, educação e conhecimento, vão alargando o fosso das desigualdades e as fileiras do exército (de reserva) de desempregados (que as  industriosas estatísticas do INE "magicamente" emagrecem)- que o «governo português» (um «pacto de regime» dos partidos da situação para dizer a verdade...) entendeu agora atacar, complicando o acesso ao subsídio de desemprego, ao qual se une o estrangulamento de prestações sociais como o abono de família; o complemento solidário para idosos e o rendimento social de inserção: tudo isto para exibir aos mercados financeiros que a República Portuguesa é capaz de dar conta das suas contas públicas ainda que para tal tenha que calcar e quebrar a espinha aos seus cidadãos com o tacão do combate ao deficit deixando-os de rastos nos patamares da sobrevivência...em nome da manutenção da ordem capitalista de que se servem empresas colossais que não cessam de a todos espantar com os seus fabulosos lucros; ao mesmo tempo que se assombram quando (os seus) trabalhadores reclamam o mais insignificante aumento do seu quinhão. A todas estas medidas de criação planificada de pobreza  (o famoso PEC) chamam alguns especialistas de "terapia de choque", enquanto penso cá para os meus botões se não calhava melhor algo como "cuidados paliativos" ou "eutanásia", consoante desejarmos o prolongamento suavizado da agonia deste modelo económico ou a interrupção mais ou menos imediata do seu sofrimento.
No fundo da tabela, uma geração inteira pasma entre esta espessa fumarada, enquanto lhe declaram como destino o estatuto irrevogável de precário, dominado e submetido a todas as arbitrariedades do patronato e dos seus braços armados (de políticos e ideólogos). Cabe a esta geração - o precariado - organizar-se e contra-atacar, sob pena de assistir passivamente à depauperação das suas condições de vida e ao saque dos seus recursos intelectuais e sonhos; e ainda à origem de um enorme fardo que seria deixar aos que a seguir aí vêm um mundo onde os primeiros passos são dados em pés descalços sobre brasas.
Todas estas preocupações serão capazes de levantar em que as ler a suspeita de nos estarmos a afundar nos terrenos pantanosos do reformismo e das suas reivindicações justiceiras mas impotentes - que partem, sobretudo, da defesa e invocação sistemática do Estado Social e das suas virtualidades que hoje vemos serem despedaçadas sob os nossos olhos: - Nada Disso! Contínuo a pensar que a única forma de alterar o curso dos acontecimentos e a rota traçada é através da superação da actual ordem social,  económica, física, fisiológica, anatómica, funcional, circulatória, respiratória, dinâmica, atómica e eléctrica vigente: "(...)sem contar com o facto de uma tal revolução, ainda mais do que qualquer outra, só poder impor-se à bomba e à catana, pelo ferro e pelo sangue." (Antonin Artaud)
Mas, acima de tudo, penso - como julgo já ter deixado claro no início deste panfleto - que não é tempo de sectarismos; nem de nos auto congratularmos com manifestações e demonstrações teóricas (e profusamente ilustradas) de que somos grandes revolucionários - campo povoado de tigres de papel, diga-se de passagem. Além disso, mantenho à cabeceira uma tese de Karl Marx que julgo guardar ainda completa pertinência: " Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem arbitrariamente, nas condições escolhidas por eles, mas nas condições directamente dadas e herdadas do passado." Presentemente existem lutas em curso; organizações com trabalho feito; movimentos que avançam, enfim, acções e condições concretas: é preciso entrar nelas.

 

Portanto, dia 1 de Maio:

engatilhado por Semeador de Favas às 23:58
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