Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Breve nota introdutória

 

 
ART TERROR FOUNDATION
 
David Cronenberg, no seu “The Fly” não resistiu, aquando da primeira experiência (falhada?) de teletransporte com organismos vivos levada a cabo por um entusiasmado, e ainda totalmente humano, Seth Brundel, ao impagável pormenor de virar, literalmente, um macaco do avesso.
A Art Terror Foundation é o produto, igualmente visceral, de uma empresa semelhante, que consistiu na colocação de um conjunto de artistas nascidos no fim do século XX numa “escola de arte” no início do século XXI, o qual não podia senão ser inaugurado como foi: com um banquete apoteótico de carne humana, servido no dia 11 de Setembro de 2001, para o qual não há ainda fim à vista. Neste “naked lunch” global há os que se agarram, ainda, aos destroços dessa “jangada do medusa” contemporânea que é o pós-modernismo, e os nostálgicos re-modernistas que se dedicam a desenterrar e roer os velhos ossos das vanguardas. A ATF sabe que não existe saída real por nenhum dos anteriores caminhos, porque somos arterroristas, exactamente: a fusão das máquinas de uns com a carne dos outros. A um monstro destes só resta apresentar-se ao mundo de rosto velado.
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2ª parte
Das margens do Guadiana ao MoMA
 
 
Os que se dedicam exclusivamente ao restauro das hierarquias e ao retardo, têm um almoço marcado com os futuros petardos pacifistas.  
Isto é: dinamitar os circuitos académicos por dentro.
Um teleporte.
Um reordenamento.
Uma dádiva.
 
A alienação é o arco triunfal do mercantilismo. Para nós o seu toque a finados.              
 
O mais translúcido e límpido biocombustível achado. 
Uma deriva ruminante para esclarecer de umas vez por todas que o artista é uma vaca.                                 
 
É preciso aplicar a táctica da cegonha para elaborar os efeitos mais espantosos e desconexos.
Tempos difíceis estes.
Aliás:
Nunca existiram de outros.
Mas ainda vale a pena morrer electrocutado?
(-DEPENDE DO CRÍTICO MEU CARO)
Todos os estudos psicogeográficos indicam que no Alentejo, para além dos ocasionais suicídios abjeccionistas, existe uma taxa elevadíssima de nascimentos nado-vivos em estado pré-situacionista, prontos a chuchar na velha teta revolucionária.
Ao fim e ao cabo isto é um convite para a grande cópula transatlântica.
Bem, antes de mais convém admitir que o ímpeto libertário tem o seu quê de patológico e de reacção alérgica incurável, e que a pilhagem é o que há de mais orgânico na doença.

Antes o jogo da batota que a lepra!

 
 

Epistemologicamente os “Bonecos de Estremoz” e o “Colosso de Rodes” são a mesma coisa, a mesma lógica se aplica às horríveis “pinturas azuis” de Picasso e aos magníficos “Painéis de São Vicente” de Nuno Gonçalves.

 
 

Apesar da dieta mediterrânica não estamos com boa cara.

 

Às vezes fartamo-nos de ser apparatchikes da parvónia.

 

Também a nós nos chateia ser sequestrados pá!

 
 
 

No Alto Alentejo, apesar da globalização lavrar por aqui há muitos anos, nunca se produziu boa Pop Art nem nada do género. Seria contra-natura e uma péssima colheita.

 

 

 

Um pé na arte outro na suinicultura- ballet contemporâneo. Esta é a mais bela postura.

 
 
engatilhado por Semeador de Favas às 14:22
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Podemos finalmente deflagrar as nossas bombas monogâmicas.
A liberdade e o amor actuarão como feromonas sobre os organismos.
Nada mais concreto.
É urgente substituir Marcel Duchamp por Stephen Hawking.
É urgente substituir o ready-made pelo worm-hole.
É urgente substituir a águia pelo ornitorrinco.
É urgente substituir a bandeira e o hino por qualquer coisa mais Susan Sontag, por exemplo: uma banana solitária ou uma bailarina do “Elefante Branco”.  
É urgente substituir os feriados religiosos por grandes festivais onde as populações poderão assistir a grandiosos happenings, nos quais robôs inteligentes farão réplicas monumentais de pinturas de Yves-Klein mas com cadáveres de cyborgs body-artists semelhantes a Joseph Beuys pingando sangue sintético das válvulas, enquanto as praças e avenidas são invadidas por enormes árvores-vulva de folha perene que tornam o trânsito automóvel impraticável e na copa das quais constroem os seus ninhos pequenos homens arborícolas com pérolas em vez de olhos e baleias-azuis em vez de braços, alimentando as suas crias com fruta que brota directamente na bolsa marsupial da progenitora que chega a viver perto 18 milhões de anos. Não sabemos ainda o que faremos em relação às ambulâncias...temos fé que num mundo destes não existirão doenças nem acidentes graves. 
È urgente substituir a arte por um minuto de silêncio, foi para isso que se inventou o serialismo, que é mais ou menos a técnica utilizada pelos serial-killers nas suas death paintings mas um pouco mais sangrento e realista.
É urgente mostrar respeito pelos nossos mortos…
Pintaremos com o olho ou com outra parte misteriosa do cérebro à qual só os índios Navajo norte-americanos e os Tupinambás brasileiros têm acesso: entre o negro e o branco. Serão essas a “ultimate paintings”.
Gostamos mais de peras que de aporias.
Gostamos mais de vermes (earworms) que de vernissages.
Gostamos mais de moluscos que de Moleskines.
Os maus artistas serão condecorados com medalhas de estrume por fazerem pinturas maravilhosas. Esta será a derradeira derrapagem fertilizante.
O Alentejo será inundado de vinho e a esse mar rubi acorrerão todos os povos da terra ávidos da liberdade que lhes foi usurpada durante milénios de opressão-punheta.
Sexo, sereias e bibliotecas para toda a gente!
Antigona e Sisífo serão reabilitados e indemnizados por séculos de ostracismo. Faremos deles marido e mulher e povoaremos a terra com minhocas gigantes que tornarão a agricultura biológica novamente possível.  
As manobras militares começarão pelos mictórios de onde soltaremos os poetas beat que lá trancaram durante quarenta anos a pão, água e electro-choques.
O princípio da horizontalidade original geológica será finalmente compreendido, adoptado e posto em prática como um sistema social orgânico e lógico.
 
A fruição será absoluta.
Há anos que não se vê uma carroça a ser puxada por um artista. Isto fez com que muitos tivessem pensado que a menstruação pictórica era o fim da esperança.
A prostituição será varrida dos quartéis académicos. Apenas se escreverão teses e ensaios por prazer e para pôr a carne em movimento.
Todos os artistas tidos como utópicos serão considerados santos ou erguidos a anti-presidentes da Terra. Isto será o fim do êxtase tardo-capitalista e o início da vida extasiada.  
Os acordos ortográficos tornar-se-ão berlicoques obsoletos pois todos falarão a mesma língua: o dialecto do Fogo.
Dois ovos Fabérge para por na açorda. Setenta e três tentáculos tantálicos para o almofariz. A arte será gastronómica ou não será nada!
A vida será fantástica ou será coxa!   
Antes!
Perder a vergonha e desatar a vender quadros motivado por rumores apocalípticos.
Antes!
Regressar à pintura de cavalete.
Antes! Ser o primeiro hermeneuta a dilacerar as escrituras sagradas.
   
Temos que admitir, antes de mais, que o pós-modernismo é um estado cataléptico.
Depois disso podemos dedicarmo-nos exclusivamente ao artesanato, à indústria e à captura de lagosta. 
Na verdade queríamos mesmo era ser políticos, caranguejos eremitas, ou pelo menos… filósofos…mas faltou-nos coragem, limitámo-nos a ser artistas! É por isso que não podemos mostrar os nossos rostos. É impossível pintar retratos.
Já houve tempos em que os intelectuais eram apreciados pelas mulheres bonitas e pelos homens sedutores. O intelecto era um afrodisíaco.
No entanto, faça-se essa justiça, fomos os primeiros a contextualizar a bosta de vaca.
Vagueamos livremente entre o masoquismo e a esperança, isto é, uma espécie de bomba de neutrões, a neutralidade completa: o “3”.
          
O tromp l´oeil/tunning ultra-barroco da alma.
    
engatilhado por Semeador de Favas às 14:18
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Manifesto Art Terror Foundation
2008
                                                       
                                                                                                                     
 
 
 
                                                                   1ª parte  
      World Heritage Arterrorists/ Arterroristas Património Mundial          
                                                                              
Avançamos decorados dos pés à cabeça como panfletos em branco ou manifestos panteístas. Doentes de saber que basta retirar a minúscula cavilha para que a Cultura venha parar ao andar de baixo. Mesmo assim dormimos, arquitectonicamente, as nossas sestas de microrganismos deteriorantes.
O mais poderoso soporífero é um detonador debaixo do travesseiro.
O sentido de todo o nosso ruído e do nosso verbo é o silêncio de fundo.
Rompamos de imediato a fidelidade para com este manifesto. Desejemos o absoluto.
O que dizemos neste instante está datado no momento. Não críamos répteis no espírito
A escrita é um dispositivo claramente anacrónico. Urge abolir o alfabeto.
O divórcio é uma disciplina obrigatória. A oitava liberal art.
O mais belo gesto retórico do acto criativo consiste em provocar no interlocutor profundas equimoses telepáticas. A comunicação tem que gerar fendas no espírito.
O mais profundo golpe da espontaneidade é impedirmos a formação de arcobotantes.
O mais aguçado punhal erguido contra o cume do espectáculo.
 
O arterrorismo apenas pode ser decifrado com recurso à criptozoologia.
  
Todo o papel tende a ser tornado palimpsesto. Esta é, para já, toda a justiça presente.
Mas, eis que subterrado nas duas mil e oito velaturas opacas, não existe já nenhum esqueleto formal.
Porém reificamos nós, protótipo de cadáver esquisito tranquilizante. 
Escutem-nos pelos flancos, com a franqueza de atiradores de tomates. Precisamos do vosso voto e da vossa discordância.
Somos rafeiros alentejanos de máscara, o fruto environmental art de todas as revoluções estético-sociais profanadas desde o Neolítico.
Sabemos hoje que a poética e a metalomecânica se equivalem em toda a linha.
Benjamin Péret e Walter Benjamin tiveram uma cria a que chamaram Presente Extravasante. Desse ovo brotaram em coro os subaquáticos, os intraterrestres e nós mesmos: Lulas Gigantes (anfíbias).   
Temos ambos os pés bem assentes nas utopias, algumas bastante patéticas, que, desde já, são ultrapassadas pelo real entrapado que em lado nenhum já persiste.
E as portas da imaginação bem escancaradas e envernizadas para sermos os primeiros a escapar caso a coisa dê para o torto: Marte está bem ao nosso alcance.
A revolução agrícola foi comida pelo dráculadrag-queen de Bram Stoker.  
A revolução industrial foi transformada num lustre.
A revolução digital foi higienicamente institucionalizada.
A revolução bioética foi enlatada.
No entanto sabemos que tudo isto tende a explodir um dia pelo processo da expansão de gases como, felizmente, sucedeu com algumas latas de “merda de artista”.
 
Continuamos a armazenar mantimentos, afinal o mundo é oco.
Construiremos uma arte passível de ser vislumbrada através do nártex por todos os doentes e acamados da Terra.
 
A nossa maior vocação é o bramido telúrico. Contra o idealismo e o materialismo dialéctico temos o expectorante sísmico.
Isto implica uma metamorfose cão/rato.
Isto implica uma oxigenação imediata do espírito.
Isto implica uma robustez ridícula nos órgãos dos sentidos.
Isto implica esgoto e algum gesso.
 

Usaremos o tarot de Marselha e a catapulta.

 
 

A arte contemporânea não é senão um enorme epitáfio: uma Fífia. Um flirt. Um flik do Federico Felinni ao pequeno-almoço. Arquemos com as consequências. Nenhum tupperware conseguirá conter todos estes restos. Tragam as larvas do novo mundo, a gangrena fará o resto.

 

E se custa assim tanto admitir, é porque apesar de tudo é um bom negócio

 
 

“Um bom negócio é a melhor arte”. (?)

 

Obviamente. Mas temos outra receita: Uma boa arte é o melhor ócio.

 
 

Alguns princípios básicos:

 

1º -“Amor Musculado” contra os antigos “Monumentos Gelados”

 

2º -Anarquia completa a todos os lactantes.

 

3º-Terrorismo Poético como forma e estilo de combate.

 

4º-Insectolatria humanista.

 

5º-Mamíferos sim mas nem tanto.

 

6º-Parvos sim mas não muito.

 
 

Exigimos a extinção imediata das seguintes instituições:

 

1ª- Os direitos de autor

 

2ª-Os prémios para jovens artistas

 

3ª-A “meritocracia” (incluindo as melhores notas aos bons alunos)       

 

4ª-As bolsas de estudo (especialmente as de mérito)

 

5ª- A “carreira”

 

6ª-Os descontos para estudantes nos museus e no metro

 

7ª-As férias

 

8ª-A polícia que patrulha as zonas perigosas junto ao pólos universitários

 

9ª- O estatismo mediático

 

10ª- O parafuso concertante

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