Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

...

 

Podemos finalmente deflagrar as nossas bombas monogâmicas.
A liberdade e o amor actuarão como feromonas sobre os organismos.
Nada mais concreto.
É urgente substituir Marcel Duchamp por Stephen Hawking.
É urgente substituir o ready-made pelo worm-hole.
É urgente substituir a águia pelo ornitorrinco.
É urgente substituir a bandeira e o hino por qualquer coisa mais Susan Sontag, por exemplo: uma banana solitária ou uma bailarina do “Elefante Branco”.  
É urgente substituir os feriados religiosos por grandes festivais onde as populações poderão assistir a grandiosos happenings, nos quais robôs inteligentes farão réplicas monumentais de pinturas de Yves-Klein mas com cadáveres de cyborgs body-artists semelhantes a Joseph Beuys pingando sangue sintético das válvulas, enquanto as praças e avenidas são invadidas por enormes árvores-vulva de folha perene que tornam o trânsito automóvel impraticável e na copa das quais constroem os seus ninhos pequenos homens arborícolas com pérolas em vez de olhos e baleias-azuis em vez de braços, alimentando as suas crias com fruta que brota directamente na bolsa marsupial da progenitora que chega a viver perto 18 milhões de anos. Não sabemos ainda o que faremos em relação às ambulâncias...temos fé que num mundo destes não existirão doenças nem acidentes graves. 
È urgente substituir a arte por um minuto de silêncio, foi para isso que se inventou o serialismo, que é mais ou menos a técnica utilizada pelos serial-killers nas suas death paintings mas um pouco mais sangrento e realista.
É urgente mostrar respeito pelos nossos mortos…
Pintaremos com o olho ou com outra parte misteriosa do cérebro à qual só os índios Navajo norte-americanos e os Tupinambás brasileiros têm acesso: entre o negro e o branco. Serão essas a “ultimate paintings”.
Gostamos mais de peras que de aporias.
Gostamos mais de vermes (earworms) que de vernissages.
Gostamos mais de moluscos que de Moleskines.
Os maus artistas serão condecorados com medalhas de estrume por fazerem pinturas maravilhosas. Esta será a derradeira derrapagem fertilizante.
O Alentejo será inundado de vinho e a esse mar rubi acorrerão todos os povos da terra ávidos da liberdade que lhes foi usurpada durante milénios de opressão-punheta.
Sexo, sereias e bibliotecas para toda a gente!
Antigona e Sisífo serão reabilitados e indemnizados por séculos de ostracismo. Faremos deles marido e mulher e povoaremos a terra com minhocas gigantes que tornarão a agricultura biológica novamente possível.  
As manobras militares começarão pelos mictórios de onde soltaremos os poetas beat que lá trancaram durante quarenta anos a pão, água e electro-choques.
O princípio da horizontalidade original geológica será finalmente compreendido, adoptado e posto em prática como um sistema social orgânico e lógico.
 
A fruição será absoluta.
Há anos que não se vê uma carroça a ser puxada por um artista. Isto fez com que muitos tivessem pensado que a menstruação pictórica era o fim da esperança.
A prostituição será varrida dos quartéis académicos. Apenas se escreverão teses e ensaios por prazer e para pôr a carne em movimento.
Todos os artistas tidos como utópicos serão considerados santos ou erguidos a anti-presidentes da Terra. Isto será o fim do êxtase tardo-capitalista e o início da vida extasiada.  
Os acordos ortográficos tornar-se-ão berlicoques obsoletos pois todos falarão a mesma língua: o dialecto do Fogo.
Dois ovos Fabérge para por na açorda. Setenta e três tentáculos tantálicos para o almofariz. A arte será gastronómica ou não será nada!
A vida será fantástica ou será coxa!   
Antes!
Perder a vergonha e desatar a vender quadros motivado por rumores apocalípticos.
Antes!
Regressar à pintura de cavalete.
Antes! Ser o primeiro hermeneuta a dilacerar as escrituras sagradas.
   
Temos que admitir, antes de mais, que o pós-modernismo é um estado cataléptico.
Depois disso podemos dedicarmo-nos exclusivamente ao artesanato, à indústria e à captura de lagosta. 
Na verdade queríamos mesmo era ser políticos, caranguejos eremitas, ou pelo menos… filósofos…mas faltou-nos coragem, limitámo-nos a ser artistas! É por isso que não podemos mostrar os nossos rostos. É impossível pintar retratos.
Já houve tempos em que os intelectuais eram apreciados pelas mulheres bonitas e pelos homens sedutores. O intelecto era um afrodisíaco.
No entanto, faça-se essa justiça, fomos os primeiros a contextualizar a bosta de vaca.
Vagueamos livremente entre o masoquismo e a esperança, isto é, uma espécie de bomba de neutrões, a neutralidade completa: o “3”.
          
O tromp l´oeil/tunning ultra-barroco da alma.
    
engatilhado por Semeador de Favas às 14:18
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