Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

...

 

Manifesto Art Terror Foundation
2008
                                                       
                                                                                                                     
 
 
 
                                                                   1ª parte  
      World Heritage Arterrorists/ Arterroristas Património Mundial          
                                                                              
Avançamos decorados dos pés à cabeça como panfletos em branco ou manifestos panteístas. Doentes de saber que basta retirar a minúscula cavilha para que a Cultura venha parar ao andar de baixo. Mesmo assim dormimos, arquitectonicamente, as nossas sestas de microrganismos deteriorantes.
O mais poderoso soporífero é um detonador debaixo do travesseiro.
O sentido de todo o nosso ruído e do nosso verbo é o silêncio de fundo.
Rompamos de imediato a fidelidade para com este manifesto. Desejemos o absoluto.
O que dizemos neste instante está datado no momento. Não críamos répteis no espírito
A escrita é um dispositivo claramente anacrónico. Urge abolir o alfabeto.
O divórcio é uma disciplina obrigatória. A oitava liberal art.
O mais belo gesto retórico do acto criativo consiste em provocar no interlocutor profundas equimoses telepáticas. A comunicação tem que gerar fendas no espírito.
O mais profundo golpe da espontaneidade é impedirmos a formação de arcobotantes.
O mais aguçado punhal erguido contra o cume do espectáculo.
 
O arterrorismo apenas pode ser decifrado com recurso à criptozoologia.
  
Todo o papel tende a ser tornado palimpsesto. Esta é, para já, toda a justiça presente.
Mas, eis que subterrado nas duas mil e oito velaturas opacas, não existe já nenhum esqueleto formal.
Porém reificamos nós, protótipo de cadáver esquisito tranquilizante. 
Escutem-nos pelos flancos, com a franqueza de atiradores de tomates. Precisamos do vosso voto e da vossa discordância.
Somos rafeiros alentejanos de máscara, o fruto environmental art de todas as revoluções estético-sociais profanadas desde o Neolítico.
Sabemos hoje que a poética e a metalomecânica se equivalem em toda a linha.
Benjamin Péret e Walter Benjamin tiveram uma cria a que chamaram Presente Extravasante. Desse ovo brotaram em coro os subaquáticos, os intraterrestres e nós mesmos: Lulas Gigantes (anfíbias).   
Temos ambos os pés bem assentes nas utopias, algumas bastante patéticas, que, desde já, são ultrapassadas pelo real entrapado que em lado nenhum já persiste.
E as portas da imaginação bem escancaradas e envernizadas para sermos os primeiros a escapar caso a coisa dê para o torto: Marte está bem ao nosso alcance.
A revolução agrícola foi comida pelo dráculadrag-queen de Bram Stoker.  
A revolução industrial foi transformada num lustre.
A revolução digital foi higienicamente institucionalizada.
A revolução bioética foi enlatada.
No entanto sabemos que tudo isto tende a explodir um dia pelo processo da expansão de gases como, felizmente, sucedeu com algumas latas de “merda de artista”.
 
Continuamos a armazenar mantimentos, afinal o mundo é oco.
Construiremos uma arte passível de ser vislumbrada através do nártex por todos os doentes e acamados da Terra.
 
A nossa maior vocação é o bramido telúrico. Contra o idealismo e o materialismo dialéctico temos o expectorante sísmico.
Isto implica uma metamorfose cão/rato.
Isto implica uma oxigenação imediata do espírito.
Isto implica uma robustez ridícula nos órgãos dos sentidos.
Isto implica esgoto e algum gesso.
 

Usaremos o tarot de Marselha e a catapulta.

 
 

A arte contemporânea não é senão um enorme epitáfio: uma Fífia. Um flirt. Um flik do Federico Felinni ao pequeno-almoço. Arquemos com as consequências. Nenhum tupperware conseguirá conter todos estes restos. Tragam as larvas do novo mundo, a gangrena fará o resto.

 

E se custa assim tanto admitir, é porque apesar de tudo é um bom negócio

 
 

“Um bom negócio é a melhor arte”. (?)

 

Obviamente. Mas temos outra receita: Uma boa arte é o melhor ócio.

 
 

Alguns princípios básicos:

 

1º -“Amor Musculado” contra os antigos “Monumentos Gelados”

 

2º -Anarquia completa a todos os lactantes.

 

3º-Terrorismo Poético como forma e estilo de combate.

 

4º-Insectolatria humanista.

 

5º-Mamíferos sim mas nem tanto.

 

6º-Parvos sim mas não muito.

 
 

Exigimos a extinção imediata das seguintes instituições:

 

1ª- Os direitos de autor

 

2ª-Os prémios para jovens artistas

 

3ª-A “meritocracia” (incluindo as melhores notas aos bons alunos)       

 

4ª-As bolsas de estudo (especialmente as de mérito)

 

5ª- A “carreira”

 

6ª-Os descontos para estudantes nos museus e no metro

 

7ª-As férias

 

8ª-A polícia que patrulha as zonas perigosas junto ao pólos universitários

 

9ª- O estatismo mediático

 

10ª- O parafuso concertante

engatilhado por Semeador de Favas às 14:14
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esmolas:
De Ricardo Tariipe a 7 de Junho de 2008 às 20:05
Queria desde já dar os parabéns pelo conteúdo deste blog. É surpreendente como este ainda não foi confiscado por uma autoridade devido ás influências amarelo no preto anarquistas em todos os textos.
De Semeador de Favas a 30 de Dezembro de 2009 às 22:10
Ricardo, as influências não são de certeza absoluta amarelo no preto: amarelo e preto são as cores da bandeira anarcocapitalista - um oxímero - e algo que não entra nesta porta.

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