Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Espremedores de Citrinos: Porque o Ensino não é Mercadoria.

 

Modelos de espremedor, da direita para a esquerda: Krups prep Expert -série citrus; Solac EX6150; Philips ("o espremedor de citrinos mais silencioso").

 

Camaradas,

 
Dia 17 de Novembro de 2009, cerca de três mil estudantes, quatro milhares (quatro) segundo números também atirados – 25.000 segundo os dados por nós apurados (depois de não termos verificado durante a manifestação a presença de qualquer agente da autoridade munido de máquina de calcular ou de outro dispositivo sofisticado de contagem de cabeças de gado) –, marcharam da Cidade Universitária até ao Palácio das Laranjeiras (quartel-general do Ministério da Ciência e do Ensino Superior comandado pelo Engenheiro-General Prof.Dr. Mariano Gago vai para dois mil e quinhentos anos ) para provar com a presença dos seus corpos jovens -munidos de cérebros saudáveis e pensantes- que os movimentos de massas, no seu poder criativo inigualável, são insubstituíveis na tarefa inadiável de travar o cadáver adiado em que ano após ano se transforma o Ensino Superior na República Portuguesa; torpedeado sucessivamente com Propinas galopantes, Acção Social rarefeita, RJIES antidemocrático, Fundações (?), Empréstimos Bancários (apre!), etc, até à sua previsível morte num futuro não muito distante: selando assim o seu há muito arquitectado desfecho sob a forma de Mercadoria pseudo-pública ou ultra-privatizada.
 
A Art Terror Foundation, com o suporte activo do corpo jovem (feito para calcorrear em gritos os quilómetros necessários) de um dos seus operacionais-artistas - também ele estudante do ensino superior - esteve lá - com toda a convicção necessária às jornadas de luta colectiva - e tem algo a dizer-vos, a todos vós, estudantes-camaradas, que também lá estiveram, marchando em bloco lado a lado, com os vossos corpos no presente e a imaginação num futuro melhor. Melhor do que a morte mercantil que vos querem assegurar contra a vossa juventude, inteligência, desejo e vontade. É o seguinte:
 
Como podemos, nós, 25000 almas robustas e belas, chegadas às imediações do Palácio das Laranjeiras, determo-nos perante um gradeamento que nos manteve os corpos aprisionados à distância, dizem alguns, de cerca de setenta metros da porta do palácio. Setenta metros dizem uns, cem dizem outros; nós, que não vimos por lá nenhuma fita métrica, avançamos que não foram nem cem nem setenta, mas vinte quilómetros contados com os passos que o espírito não deu até aquela porta que tinha para deitar abaixo. Todavia fomos travados, a essa insuportável "distância de segurança", comprimidos e espremidos entre uma grade metálica cinzenta e a chapa azul da carrinha da polícia de segurança pública. Ora não tinha-mos nós subido às Laranjeiras, precisamente, para colher os seus frutos, quer dizer, para espremer o sumo das nossas laranjas? Afinal - na primeira manifestação popular contra o recém eleito, nado-morto e velho governo, apoiada por toda a classe trabalhadora do país suspensa nas paredes de vidro de Lisboa - fomos nós os espremidos: Porquê?
 
Porque julgámos que nos bastaria "enviar" os nossos "representantes" a comunicar ao ministério da mercadoria educativa as nossas justas reivindicações? Não! Porque continuamos a alimentar a ilusão de poder dialogar com os que não querem compreender a diferença entre um Direito Conquistado e uma Mercadoria Disponibilizada, nem mesmo depois de lhes ter sido explicado, nas inúmeras manifestações feitas ao longo dos anos, que o ensino superior caminha, arrastando-nos contra a nossa vontade, para um abismo que se alimenta dos nossos corpos e dos nossos desejos. O que isto quer dizer é que nós já não somos sujeitos desta história – que seremos nós, e ninguém mais, a rasgar ou escrever – (mas objectos) de interesses que não são os nossos mas que, todavia, pagamos ignobilmente; assim nos vão tornando, passo a passo, um pouco menos pessoas (estudantes) e um pouco mais mercadoria: afinal as laranjas espremidas (à porta do cemitério do ensino superior) somos nós.
 
Não dizemos que a nossa manifestação foi sequestrada, não, dizemos apenas que não nos basta ser representados à mesa (isto é, à porta) dos ministérios, nem em ter “a voz dos estudantes na Assembleia da República”. Porque já vimos escrever muita coisa na AR, e até raras, cada vez mais raras, páginas muito belas, o que nunca lá vimos foi alguém dançar, cantar ou beber a vida livremente.
E o que nós precisamos, de facto, é construir uma festa que se chame Ensino Superior, Gratuito e de Qualidade; não apenas de actores que o saibam representar nos diversos palcos à disposição no país.    
 
Colegas,
Quando quiserem e estivermos prontos, todos, faremos juntos o assalto ao Palácio das Laranjeiras, e lá montaremos uma festa como nunca antes vista pelos estudantes deste país.
Esta é a tarefa que nos persegue, eternamente adiada.
 
Sermos o espremedor de citrinos mais ruidoso do Mundo.

 

 

Agora escutemos a voz antiga, Nova e Actual, de um bom companheiro...

 

 

engatilhado por Semeador de Favas às 16:22
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